Com a chegada das baixas temperaturas, é muito comum ouvirmos (ou sentirmos) que a coluna começa a “reclamar” mais. Não é apenas impressão. Existe uma explicação biológica e biomecânica por trás desse incômodo que atinge tanta gente.
Neste artigo, vamos entender o que acontece com o seu corpo no frio e como você pode se proteger para aproveitar a estação com mais conforto.
Por que o frio afeta a coluna?
O nosso corpo é uma máquina biológica que precisa se adaptar constantemente para manter o funcionamento interno. Quando a temperatura cai, várias reações em cadeia acontecem:
- Contração muscular de defesa: Para gerar calor e nos proteger, os músculos se contraem involuntariamente. É aquela famosa tremedeira ou o hábito de ficarmos “encolhidos”. Isso reduz a elasticidade e aumenta a rigidez muscular na região lombar, cervical e dorsal.
- Vasoconstrição: Os vasos sanguíneos ficam mais estreitos, o que diminui o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes para os tecidos. Isso favorece o surgimento de contraturas e espasmos dolorosos.
- Mais sensibilidade: No inverno, nossa percepção de dor aumenta. Uma teoria interessante sugere que o sistema nervoso usa os mesmos caminhos para conduzir estímulos de dor e de temperatura, o que pode causar uma “confusão” no cérebro, intensificando o desconforto.
- Pressão barométrica: A queda da pressão atmosférica, comum em dias frios, pode causar um leve inchaço nos tecidos ao redor das articulações, estimulando os nervos da dor.
O perigo de ficar “parado”
No frio, a tentação de passar horas debaixo das cobertas no sofá é grande. No entanto, a falta de movimento é um dos maiores vilões da coluna. Além disso, muitas vezes adotamos posturas prejudiciais para nos aquecer, como encolher os ombros ou curvar as costas, o que pode sobrecarregar as vértebras.
Pacientes que já convivem com condições como hérnia de disco ou osteoartrose precisam de cuidado redobrado, pois a rigidez do inverno agrava a compressão dos nervos e o atrito nas articulações.
Quando procurar um especialista?
Se a dor for intensa, persistir por mais de três dias ou vier acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força nas pernas ou braços, é fundamental buscar um ortopedista especializado. O tratamento precoce evita que um simples “travamento” se torne algo mais sério.
Lembre-se: cuidar da sua postura e manter-se ativo são os melhores remédios para passar pelo inverno com saúde e bem-estar.
Dr. José Carlos Barbi – CRM 32705
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